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PolíticaAlemanha

Presidente alemão aposta no aumento do comércio com África

Martina Schwikowski
31 de outubro de 2025

O Presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, viaja este sábado para África, acompanhado de empresários, para uma visita de uma semana ao Egito, ao Gana e a Angola destinada a aprofundar as parcerias económicas.

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O Presidente Frank-Walter Steinmeier (centro) à chegada ao Aeroporto Cesária Évora, em Mindelo, Cabo Verde, durante visita em outubro de 2023
O Presidente Frank-Walter Steinmeier esteve em visita oficial a Cabo Verde em outubro de 2023 Foto: Bernd von Jutrczenka/dpa/picture alliance

Quando Frank-Walter Steinmeier chegar ao Egito, a 1 de novembro, no início da sua viagem de uma semana a África, participará na inauguração do Grande Museu Egípcio. Neste importante acervo arqueológico, com mais de 100 mil artefactos, será exibido pela primeira vez o conjunto completo de objetos funerários de Tutancamon.

O foco de Steinmeier, que do Egito seguirá para o Gana e para Angola, é o reforço da cooperação económica com o continente africano. Uma delegação económica acompanha o Presidente nesta viagem.

Egito, um mercado atraente para empresários 

Segundo Khadi Camara, da Afrika-Verein, associação de empresas alemãs com negócios no continente africano, o Egito é muito interessante para as empresas alemãs. "O país é um dos poucos mercados em que a Alemanha implementa grandes projetos em grande escala e em diversos setores", salienta, referindo-se a projetos de infraestrutura e ferroviários, digitalização e indústria. Cada vez mais empresas escolhem o Egito como localização, acrescenta ela.

A situação de segurança na região é também um ponto importante de discussão para a reunião com o chefe de Estado egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, atualmente uma das vozes diplomáticas mais persistentes na luta por um futuro para Gaza. Em setembro de 2024, Steinmeier já visitou o país do norte de África e elogiou o seu papel de mediador no conflito do Médio Oriente.

Encontro entre o Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier (à esquerda) e Abdel Fattah Al-Sisi (à direita), Presidente do Egito, no Palácio Ittihadiya no Cairo
O Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier (à esquerda) encontrou-se com o seu homólogo egípicio, Abdel Fattah Al-Sisi, no Palácio Ittihadiya, no Cairo, em setembro de 2024Foto: Bernd von Jutrczenka/dpa/picture alliance

O Egito, mas também o Gana, a segunda etapa da viagem do Presidente da Alemanha, são países parceiros da iniciativa Compact with Africa (CwA), criada sob a presidência alemã do G20 em 2017 com o objetivo de gerar investimentos para o crescimento económico sustentável em países africanos orientados para as reformas. Treze países africanos são membros da CwA.

Gana, centro de produção de vacinas

Outro elemento importante para o fortalecimento da cooperação é a pesquisa de vacinas. A Alemanha e a União Europeia apoiam o Gana a se posicionar como centro da África Ocidental para a produção de vacinas e medicamentos. Isso cria mais empregos e melhora a assistência médica.

O Gana também possui start-ups inovadoras. A agenda do Presidente inclui um encontro com fundadores para discutir inovações.

De acordo com Anna Lena Wasserfall, diretora do escritório internacional da Fundação Konrad Adenauer (KAS) em Acra, o Gana é um país prioritário para a cooperação alemã para o desenvolvimento. Isso aplica-se especialmente à área das energias renováveis, mas também à boa governação e ao combate à corrupção.

A reorientação estratégica da parceria alemã-ganesa incluiu reformas bancárias destinadas a estabilizar o setor financeiro e novas leis destinadas a simplificar a criação de empresas no Gana.

Presidente alemão elogia democracia em Cabo Verde

Angola quer aproximar-se do G20

A última paragem será Angola, onde o chefe de Estado alemão chega a 5 de novembro. Será a primeira visita oficial de um Presidente alemão ao país, numa altura em que Berlim procura estreitar parcerias no continente e reduzir dependências face a outras potências.

A visita ocorre num momento simbólico: Angola comemora meio século de independência e procura diversificar uma economia ainda muito dependente do petróleo.

Segundo Khadi Camara, Berlim vê Angola como um parceiro com grande margem de crescimento: "O governo angolano tem impulsionado a diversificação económica. Empresas alemãs estão muito ativas no setor do hidrogénio; estão a ser instaladas grandes centrais hidroelétricas e há projetos relevantes em infraestruturas, saúde e agricultura."

Ministro angolano da Energia e Águas na Alemanha em busca de investidores

Steinmeier vai reunir-se em Luanda com o Presidente João Lourenço, que neste momento também preside à União Africana (UA) e a quem se reconhece o seu papel na resolução da crise na vizinha Repúblcia Democrática do Congo (RDC).

O encontro deverá abordar tanto a cooperação económica como temas regionais e diplomáticos. Outro ponto alto da visita será a discussão sobre a adesão de Angola ao CwA. "Se a Alemanha reforçasse a sua presença em Angola, como fazem outros países, o potencial seria enorme. Angola é candidata à próxima ronda do Compact with Africa e tem manifestado interesse em participar", afirma Camara.

A adesão poderia abrir portas a novos financiamentos e garantias de crédito para projetos de energia, transporte e formação profissional, apoiados pelo Banco Mundial e pela União Europeia.

No programa da visita, está ainda prevista uma deslocação ao Huambo, onde o Presidente alemão vai inteirar-se sobre o Corredor do Lobito, linha ferroviária que liga o Atlântico às minas de cobre e aos minerais estratégicos da RDC e da Zâmbia.

O projeto, apoiado pela Comissão Europeia no âmbito do programa "Global Gateway", é considerado estratégico para o comércio africano e uma alternativa à Nova Rota da Seda promovida pela China.

A Alemanha procura afirmar-se como parceiro económico e político de confiança num continente onde potências como a China, a Índia e a Rússia têm vindo a ganhar terreno. O foco de Berlim está em investimentos sustentáveis, energias limpas e formação de mão-de-obra qualificada, áreas onde as empresas alemãs têm know-how consolidado.

À lupa: O incentivo tardio de Biden no Corredor do Lobito

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