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EducaçãoMoçambique

Redução do tempo lectivo gera polémica em Moçambique

25 de fevereiro de 2026

A redução do tempo lectivo para 40 minutos em várias escolas moçambicanas gera contestação. Embora a ministra defenda que a qualidade das aulas importa mais do que a duração, especialistas e pais alertam para riscos.

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Professor e alunos numa sala de aula em Manica
"A questão é a qualidade da aula, a questão não é o tempo que a criança está na escola", defende a ministra da tutelaFoto: Bernardo Jequete/DW

O Governo decidiu introduzir três turnos em algumas escolas para acomodar menores de 18 anos que estudavam a noite.

A medida força a redução do tempo letivo de 45 para 40 minutos, levando os alunos a ficar mais tempo fora da escola. Esta medida está a ser fortemente criticada.

A ministra da Educação e Cultura de Moçambique, Samaria Tovela, reagiu às críticas afirmando que o que interessa é a qualidade da aula: "Podemos ter uma aula de 30 minutos. A questão é a qualidade da aula, a questão não é o tempo que a criança está na escola. A criança pode estar na escola e não acontecer nada."

"O que nós estamos a fazer é investir naquilo que efetivamente é o trabalho do gestor. O problema que temos é de gestão", acrescentou a governante.

"Assim, Moçambique não terá futuro nenhum"

O académico Severino Ngoenha disse à emissora privada STV, parceira da DW, que "se a educação continuar assim como está ou piorar, Moçambique não terá futuro nenhum. E nenhum de nós está interessado nisso."

"Alguém tomou essa decisão e teve razões para fazê-lo e estão a ser contestadas. Significa que há opiniões diferentes. O que temos que fazer é sentarmos na mesa e tentarmos ver qual é a melhor situação, a mais viável neste momento e o possível", sugere.

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A psicóloga Elizabeth Gomes afirma que 40 minutos de aula são suficientes para transmitir matérias, mas depende da forma como o professor planifica a aula.

Alunos sobrecarregados

A psicóloga acrescenta que os professores podem transmitir conteúdos aos alunos de forma produtiva e eficaz, mas o problema seria a sobrecarga do lado dos alunos. "Porque terão que assimilar a matéria num curto espaço de tempo. Então, pode haver aqui um risco dessa matéria não ser muito bem assimilada por conta do tempo reduzido, porque se um docente não souber trazer a matéria de forma bem estruturada nesse tempo que tem vai comprometer de forma automática o próprio aluno na assimilação disto", considera.

A psicóloga explica ainda que, mesmo havendo estruturação por parte do docente, os alunos enfrentam ainda outros desafios. "Mas não haver espaço para discussões e criar aqui algum tipo de discrepância entre o que o aluno vai aprender ou o que o professor vai passar e o que o aluno vai assimilar, por conta de não haver um tempo de reflexão como tal", observa.

O encarregado de educação Paulo Anselmo não concorda com a medida, porque, a seu ver, "afeta negativamente para a percepção dos alunos, porque leva um tempo e o aluno para ouvir, acatar e refletir a matéria."

A encarregada de educação Fátima Chivambo  deixa uma sugestão para o tempo em que os alunos estiverem fora da escola: "As crianças podiam fazer estudos em grupos como há muito tempo que nós tínhamos estudos em grupo."

Cláudia Ubisse, outra encarregada de educação, até já está a arranjar saídas para que o seu educando não fique fora da escola por muito tempo. "Talvez meter numa escolinha ou talvez numa explicação para que nos tempos livres a criança aprenda alguma coisa." Nas escolas primárias, os encarregados queixam-se por vezes que os meninos ficam apenas 4 horas contra as 8 sugeridas.

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Romeu da Silva Correspondente da DW África em Maputo