Senegal: Ousmane Sonko eleito presidente do Parlamento
26 de maio de 2026
Desta forma, Ousmane Sonko regressa em força ao Parlamento do Senegal, após ter sido eleito por larga maioria graças ao apoio do seu partido, o Pastef, e apesar das divergências com o Presidente Bassirou Diomaye Faye, que pertence à mesma formação política.
À frente da Assembleia Nacional, Sonko passa a ser a segunda personalidade do Estado, quastionando-se agora se o Presidente Faye conseguirá governar e aprovar reformas num país que enfrenta graves dificuldades económicas.
O novo presidente da Assembleia foi longamente aplaudido pelos deputados do seu partido, que detém 130 dos 165 assentos do Parlamento, susbtuindo no cargo El Malick Ndiaye, que se demitiu no domingo.
"Não utilizarei esta responsabilidade para organizar o caos institucional, para criar uma crise institucional ou problemas ao Presidente da República. Nenhum deputado ao meu lado utilizará esta instituição para uma vingança pessoal", declarou Sonko, após a tomada de posse.
Boicote da oposição
A oposição senegalesa boicotou a reunião da Assembleia Nacional. Os deputados da principal coligação da oposição abandonaram a sala no início da reunião para protestar contra o que dizem ser uma violação do regulamento interno, avançou a AFP.
"Decidimos não participar nesta farsa. O Sr. Sonko perdeu o seu mandato de deputado e não pode recuperá-lo", declarou à imprensa o deputado Abdou Mbow.
El Malick Ndiaye anunciou domingo (24.05) a sua demissão do cargo de presidente da Assembleia Nacional do Senegal, dois dias depois da destituição de Ousmane Sonko ter mergulhado o país numa situação de incerteza política.
"Esta decisão resulta de uma escolha pessoal, guiada sobretudo pela minha visão das instituições, da responsabilidade pública e do interesse superior da nação", indicou na sua conta na rede social Facebook El Malick Ndiaye, próximo de Sonko.
A demissão do primeiro-ministro ocorreu pouco depois da sua intervenção na Assembleia Nacional, durante a tradicional sessão de perguntas ao governo, na qual Ousmane Sonko questionou claramente algumas decisões do Presidente Faye.
Com uma retórica pan-africanista, Sonko despertou grande entusiasmo entre a juventude desiludida do Senegal, após meses de impasse com o Governo de Macky Sall, que reprimiu violentamente as manifestações contra si e contra a possibilidade de se candidatar a um terceiro mandato.
As tensões entre o chefe de Estado e o chefe de Governo eram evidentes há já vários meses e os sinais de afastamento entre os dois multiplicaram-se na esfera pública, acabando por se consumar na passada sexta-feira.
Banqueiro substitui ex-primeiro-ministro
O Presidente senegalês nomeou na segunda-feira (25.05) como primeiro-ministro o banqueiro e economista Ahmadou Al Aminou Lo, antigo ministro e ex-diretor da filial senegalesa do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO).
O Senegal encontra-se mergulhado numa profunda crise política, depois de Faye ter demitido Ousmane Sonko na passada sexta-feira (22.05) do cargo de primeiro-ministro e dissolvido o Governo, após meses de tensões crescentes.
Bassirou Diomaye Faye considera que Ahmadou Al Aminou Lo possui os conhecimentos especializados necessários para salvar o país da África Ocidental do enorme peso da dívida, que corresponde a 132% do Produto Interno Bruto (PIB).