Sudão do Sul: Disputa pelo poder pode levar à guerra civil
7 de fevereiro de 2026
O comandante militar sénior do Sudão do Sul, Johnson Olony, instou recentemente as tropas a agirem com determinação e a "não pouparem vidas", incluindo de civis, como parte dos preparativos para uma ofensiva do Governo contra as forças da oposição no estado de Jonglei.
A situação política do país piorou após a detenção do ex-vice-presidente, Riek Machar, líder do Movimento Popular de Libertação do Sudão do Sul, em março de 2025.
Para o analista Tim Glawion a situação no Sudão do Sul é realmente assustadora. Segundo ele "há a questão humanitária, em que mais de três quartos da população está em situação de extrema necessidade, ameaçados pela fome e expostos aos combates. A isso somam-se as inundações e, agora, a ameaça de uma nova guerra civil", disse.
As tensões estão concentradas no estado de Jonglei, onde novos confrontos entre milícias da oposição e tropas governamentais causaram mortos e feridos. Segundo dados da ONU, 180 mil pessoas foram deslocadas.
Daniel Akech, especialista da ONG International Crisis Group, sublinha que mobilização de ambos os lados "aumenta o receio de que a situação possa sair do controlo, que possam ser desencadeados conflitos étnicos e que os civis possam tornar-se alvos."
Militarização acentuada
Desde que conquistou a independência em 2011, o Sudão do Sul não avançou em direção à paz, mas sim a uma militarização cada vez mais acentuada, diz o analista Tim Glawion.
À DW, Ulrich Thum, diretor da Fundação Friedrich Ebert, em Juba, salienta que os combates em curso e o agravamento da situação humanitária são um "círculo vicioso que precisa ser quebrado com urgência".
"O Sudão do Sul está num ponto de viragem crítico e o acordo de paz de 2018 está seriamente ameaçado pelo aumento dos confrontos armados. Os combates locais entre as forças governamentais e da oposição já se espalharam por vários estados", explica.
"A confiança entre as partes signatárias do acordo de paz está amplamente destruída. Até agora, não há esforços sérios por parte do Governo para conter eficazmente a situação", acrescenta.
Na semana passada, o secretário-geral da ONU apelou a todas as partes para que protejam os civis e garantam o acesso para a entrega segura de assistência humanitária. António Guterres instou ainda o Governo do Sudão do Sul e as forças da oposição a tomarem medidas imediatas e decisivas para cessar todas as operações militares e reduzir a tensão através do diálogo.