Visita de Steinmeier: A Alemanha quer conhecer melhor Angola
5 de novembro de 2025
Akwaaba – que significa "bem-vindo" – foi uma palavra repetida várias vezes durante a visita do Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, ao Gana. O país é um parceiro de longa data da Alemanha - o Presidente ganês, John Mahama, disse que, mais do que um país parceiro, a Alemanha é um amigo.
Agora, Frank-Walter Steinmeier chegou a Angola, um parceiro que a Alemanha quer conhecer melhor - por um lado, por causa dos esforços de diversificação da economia; por outro, devido ao "Corredor do Lobito", que liga as minas de cobre e outros minerais na República Democrática do Congo (RDC) à costa angolana, por via ferroviária.
Esses são apenas dois motivos que levam o Presidente alemão a Angola. Na quinta-feira (06.11), Steinmeier viaja de comboio pelo Corredor.
"Angola não interessa apenas ao mundo como fornecedor de petróleo e gás. Nos últimos anos, após a visita do Presidente angolano à Alemanha [em 2018], Angola também deu sinais de que pretende diversificar a sua economia. E isso torna Angola num [manifesto] parceiro de diálogo da Alemanha", disse.
Diversificar as fontes de energia
Durante a visita, Steinmeier vai encontrar-se com o Presidente angolano, João Lourenço, o líder do maior partido da oposição (UNITA), Adalberto Costa Júnior, e membros da sociedade civil e do setor empresarial.
É um sinal "muito importante", nota Bärbel Kofler, secretária de Estado Parlamentar da Ministra Federal da Cooperação Económica e Desenvolvimento, do partido social-democrata alemão, o SPD, que acompanhou a delegação de Steinmeier ao Gana: "Penso que se trata de um sinal de apreço pelo país, bem como pelas relações entre África e a Europa".
A Alemanha quer conhecer melhor Angola, também porque precisa de diversificar as fontes de energia, após cinco décadas de dependência do gás russo, incluindo com fontes renováveis como o hidrogénio verde.
Os empresários alemães têm ainda em vista investimentos em torno do Corredor do Lobito, como o Centro de Bioveterinária e Produção de Vacinas que já está em construção na província do Huambo e que o Presidente alemão também vai visitar. É um investimento que faz parte de uma iniciativa europeia mais ampla para contrabalançar a crescente influência chinesa através da "Nova Rota da Seda".
A última vez que Frank-Walter Steinmeier esteve em Angola foi em 2014– na altura, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros. Onze anos depois, muitos dos problemas persistem no país, tanto nas infraestruturas, como no acesso a financiamento ou na luta contra a corrupção.
Angola, "âncora de estabilidade na África Austral"
O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou, em maio deste ano, um estudo que dizia que as reformas para combater a corrupção e melhorar a gestão pública perderam fulgor nos últimos anos. O FMI citava observadores independentes que mencionavam que as reformas têm demorado mais do que o esperado. Além disso, o "progresso sobre questões de transparência fiscal estagnou" ou recuou, e casos de corrupção em tribunal, envolvendo figuras de alto nível, também não avançam.
Mas a Alemanha quer conhecer melhor Angola, também porque o país detém atualmente a presidência da União Africana e é um ator geoestratégico importante, lembrou Frank-Walter Steinmeier: "Nos últimos anos, tem sido também uma verdadeira âncora de estabilidade na África Austral."
Já este mês, nos dias 24 e 25 de novembro, Luanda acolhe a cimeira União Europeia-União Africana, considerado um momento decisivo para definir o rumo da cooperação entre os dois blocos.
Artigo atualizado a 10 de novembro de 2025 às 12:05 (CET).