Cyril Ramaphosa: "Questões difíceis, mas legítimas"
8 de junho de 2026
Grupos de protesto anti-imigrantes estabeleceram o prazo de 30 de junho para que os cidadãos estrangeiros que se encontram ilegalmente na África do Sul abandonem o país e solicitaram conversações com o Governo.
Os grupos que apelam à repressão à imigração têm vindo a ganhar destaque nos últimos meses com uma série de protestos. Afirmam que os estrangeiros que se encontram ilegalmente na África do Sul estão a agravar o desemprego, que já é extremamente elevado, e a exercer mais pressão sobre os serviços de saúde pública e educação, que já se encontram sobrecarregados.
"Muitos sul-africanos estão a levantar questões difíceis, mas legítimas”, afirmou o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa. "Estas preocupações são reais. Merecem ser ouvidas e merecem ser abordadas", acrescentou num discurso transmitido pela televisão nacional.
Mas Ramaphosa afirmou também que as autoridades não tolerariam que ninguém fizesse justiça pelas próprias mãos.
"Apenas funcionários governamentais autorizados podem agir contra violações da nossa lei", acrescentou Ramaphosa, alertando que alguns grupos estavam a "incitar” tensões.
Ataques xenófobos
Ainda neste fim-de-semana, o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, condenou os atos de xenofobia na África do Sul, que já vitimaram sete moçambicanos.
Também o Gana, a Nigéria e o Quénia afirmaram recentemente que os seus cidadãos têm sido alvo de ameaças e violência na África do Sul pelo facto de serem estrangeiros. O Gana repatriou cerca de 300 dos seus cidadãos da África do Sul no mês passado e afirmou que mais cidadãos terão a oportunidade de regressar a casa devido ao que designou como ameaças contra eles.
Deportações em massa
O governo de coligação da África do Sul deu uma nova prioridade à questão da imigração após a sua formação em 2024 e afirma ter deportado, nos últimos dois anos, mais de 100.000 pessoas que se encontravam ilegalmente no país. Ramaphosa afirmou, no domingo (07.06), que cerca de 450.000 pessoas que tentavam entrar na África do Sul sem documentos foram detidas na fronteira no último ano.
O Presidente sul-africano admitiu ainda que houve "falhas” na forma como a África do Sul geria anteriormente a migração e que o Governo tomaria agora medidas "decisivas", mas apelou também para que as pessoas "não se voltassem umas contra as outras” por causa desta questão.
A África do Sul tem um historial de violência desencadeada pela ira face à presença de migrantes, incluindo em 2008, quando mais de 60 pessoas foram mortas no que grupos internacionais de direitos humanos designaram como ataques xenófobos contra estrangeiros.
Não existem dados oficiais sobre o número de migrantes que se encontram ilegalmente no país, embora várias estimativas apontem para um número entre dois milhões e cinco milhões, numa população de 62 milhões.