ONU denuncia mortes de 70 crianças palestinas na Cisjordânia
12 de maio de 2026
As Nações Unidas condenaram nesta terça-feira (12/05) as crescentes operações militares israelenses e os ataques de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada, que deixaram 70 crianças palestinas mortas desde o início de 2025.
"As crianças estão pagando um preço intolerável pela escalada das operações militares e dos ataques de colonos em toda a Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental", disse a jornalistas o porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), James Elder.
Desde janeiro de 2025, quando Israel iniciou uma operação militar na Cisjordânia, "ao menos uma criança palestina foi morta, em média, a cada semana", afirmou. Outras 850 ficaram feridas nesse período. "A maioria dos mortos ou feridos foi atingida por munição real", disse.
Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, após o ataque do Hamas em Israel, a violência também aumentou na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967 em violação ao direito internacional.
Soldados ou colonos israelenses mataram ao menos 1.070 palestinos no período, segundo um levantamento da agência AFP com base em dados da Autoridade Palestina. Já dados oficiais israelenses mostram que ao menos 46 israelenses, entre soldados e civis, foram mortos no mesmo período. O país vem ampliando seus planos de expansão sobre territórios na Cisjordânia.
Agressões, deslocamentos e demolições
James Elder afirmou que as forças israelenses foram responsáveis por 93% das mortes de crianças na Cisjordânia mas também apontou "níveis históricos de ataques de colonos".
Segundo a ONU, março de 2026 registrou o maior número de palestinos feridos por colonos israelenses em pelo menos 20 anos, disse ele, citando "incidentes documentados (que incluem) crianças baleadas, esfaqueadas, espancadas".
As Forças de Defesa de Israel (FDI) e o Shin Bet, a agência de segurança interna israelense, já calculavam um aumento de 27% dos ataques por colonos extremistas e forças militarescontra palestinos na Cisjordânia em 2025 em comparação com o ano anterior.
O representante da Unicef contou a história de um menino de oito anos que dormia quando colonos atacaram sua aldeia. "A casa da família havia sido demolida dois meses antes, então ele dormia do lado de fora", disse, acrescentando que o menino "foi espancado com um pedaço de madeira e hospitalizado com ferimentos na cabeça".
Elder destacou que os ataques violentos ocorrem em meio ao "desmonte constante das condições de que as crianças precisam para sobreviver e crescer".
"As casas são demolidas, a educação é destruída, sistemas de água são atacados, o acesso à saúde é obstruído, a circulação é restringida", disse.
Um aumento dramático no número de barreiras e restrições impostas em toda a Cisjordânia fez com que as crianças fossem "rotineiramente isoladas das escolas, dos hospitais e de outros serviços essenciais", afirmou.
Tudo isso provocou deslocamento em massa, com mais de 2.500 palestinos — 1.100 deles crianças — deslocados apenas nos primeiros quatro meses deste ano na Cisjordânia.
"Isso supera o total de deslocamentos registrados em 2025", ressaltou Elder.
A educação também está "sob ataque constante", disse ele, com "99 incidentes relacionados à educação documentados somente neste ano, incluindo a morte, ferimentos e detenção de estudantes, a demolição de escolas, o uso militar de prédios escolares e a negação de acesso".
E, quando as crianças caminham até a escola, disse ele, elas "não seguem em linha reta porque estão constantemente olhando por cima do ombro".
Centenas de crianças presas
Também houve um aumento acentuado nas prisões e detenções de crianças, afirmou Elder.
Os dados mais recentes, segundo ele, indicam que 347 crianças palestinas da Cisjordânia estavam detidas em prisões militares israelenses por supostas infrações relacionadas à segurança, o maior número em oito anos.
Elder disse que o Unicef está pedindo às autoridades israelenses que "tomem medidas imediatas e decisivas para impedir novas mortes e mutilações de crianças palestinas e para proteger suas casas, suas escolas e seu acesso à água, em conformidade com o direito internacional".
Outros países com influência também deveriam "usar sua influência para garantir que o direito internacional seja respeitado", afirmou.
gq (AFP, ots)