Irão e Israel atacam infraestruturas críticas
8 de março de 2026
Israel atacou, na madrugada deste domingo (08.03), quatro instalações de armazenamento de petróleo e um centro de transferência de produtos petrolíferos nas províncias de Teerão e Alborz, confirmou o diretor executivo da Companhia Nacional Iraniana de Distribuição de Produtos Petrolíferos, Keramat Veis Karami.
Como consequência, a distribuição de combustível em Teerão foi "temporariamente interrompida", estando as autoridades a limitar o fornecimento de 20 litros diários de gasolina a cada pessoa.
Em declarações esta tarde, o secretário de Estado da Energia norte-americano garantiu que os Estados Unidos não planeiam atacar a indústria petrolífera e de gás natural do Irão. "Estes são ataques israelitas", afirmou Chris Wright em entrevista à cadeia televisiva CNN, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
O exército israelita disse entretanto que "concluiu uma nova onda de ataques à capital iraniana, na qual afirma ter também atacado 50 'bunkers' de munições, uma base da milícia Basij, um centro de comando interno e um complexo da Guarda Revolucionária". O exército diz ainda ter "desmantelado", em Teerão, o quartel-general da Força Espacial da Guarda Revolucionária do Irão, que servia para "controlar um satélite lançado em agosto de 2022 com o qual o Irão observava o Estado de Israel e os seus residentes".
Também no Líbano, novos ataques israelitas elevaram o número de mortos para mais de 300, depois de Israel ter ordenado a evacuação de grandes áreas do país antes de uma ofensiva destinada a eliminar as forças apoiadas pelo Irão.
Em declarações ontem à noite, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, prometeu "muitas surpresas" na próxima fase do conflito, afirmando que Israel pretende desestabilizar o regime iraniano e permitir uma mudança no governo.
Ataque a estação de dessalinização
Por sua vez, o Irão levou a cabo um ataque a uma estação de dessalinização no Bahrein, que é fundamental para o abastecimento de água potável nos desertos áridos do Golfo Pérsico.
O ataque de Teerão ocorreu após o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, ter revelado, no sábado, que um ataque aéreo dos EUA danificou uma instalação de dessalinização iraniana na ilha de Qeshm, alertando que, ao fazer isso, "os EUA criaram esse precedente, não o Irão".
O exército dos EUA não reconheceu o ataque.
Quem substitui Khamenei?
Entretanto, dois membros da Assembleia de Especialistas do Irão afirmaram que já escolheram o novo líder supremo do país, sucessor do aiatolá Ali Khamenei, embora ainda não tenham anunciado publicamente o seu nome.
"A eleição da liderança já foi realizada e o líder foi determinado”, disse o aiatolá Ahmad Alamolhoda, membro da Assembleia de Especialistas, um órgão formado por 88 clérigos eleitos nas urnas a cada quatro anos.
Ataques a Israel
Uma série de explosões foi ouvida no início da tarde de domingo em Telavive, no centro de Israel, segundo informação do exército israelita.
"Há pouco, o exército israelita identificou mísseis lançados do Irão em direção ao território do Estado de Israel", declarou o exército num comunicado, acrescentando que os sistemas de defesa antiaérea foram ativados.
Também hoje, os Guardas da Revolução iraniana anunciaram que serão intensificados os ataques contra os EUA e Israel, depois daquilo que classificaram como um "aumento da barbárie" provocada pelos bombardeamentos dos dois países contra a república islâmica.
Em resposta à ofensiva militar contra o Irão lançada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, Teerão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre e na Turquia.