LAM: Engorda a lista de arguidos envolvidos em corrupção
11 de março de 2026
Em Moçambique, a estatal Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) continua enterrada num autêntico pântano de corrupção e má gestão, uma situação que preocupa, e muito o Executivo do Presidente da República, Daniel Chapo, visto que poderá estar em causa a sobrevivência de transportadora de bandeira, assim como de outras empresas que dependem da mesma ou que são credoras da mesma.
A nova equipa de gestão da LAM, que substitui os antigos gestores detidos ou acusados pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), afirmou que está a colaborar com as autoridades no caso de quatro anteriores diretores da companhia, incluindo um antigo diretor-geral, detidos por suspeitas de envolvimento em casos de corrupção.
Um lista que cresce
A lista dos arguidos, entretanto, não pára de crescer: Há dias, o GCCC constituiu arguida a diretora de Manutenção da LAM, Agira Chande António Muailete Nhabanga, pelo seu alegado envolvimento num esquema de sabotagem da introdução de um novo serviço de transporte de carga e no desvio de fundos, na ordem de mais de três milhões de dólares, a coberto de alegadas compras de peças para a manutenção de aviões, incluindo os modelos Q400 e Boeing 737-300-F, cargueiro que nunca chegou a operar, inclusive no período em que já havia sido devolvido à Indonésia.
Esta limpeza na LAM está a ser bem feita? É um passo necessário para que se possa proceder à necessária recuperação da LAM?
O que é suficiente?
O pesquisador do Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD), de Moçambique, André Mulungo, entende que "é sempre bom quando pessoas acusadas de má gestão e os seus nomes são associados a práticas de corrupção, são levadas à justiça".
Contudo sublinha que "não é suficiente para afirmarmos que isso seja o início de uma luta contra a má gestão nas linhas aéreas de Moçambique. Essa gestão que levou a LAM a estar na situação em que se encontra neste momento".
Para já, mantêm-se em prisão preventiva quatro antigos gestores das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), no âmbito de processos relacionados com alegados crimes de má gestão, peculato e corrupção. Entre os detidos está João Pó Jorge, antigo diretor-geral da empresa, que, durante o primeiro interrogatório de instrução criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo - TJCM, alegou que cumpria ordens de um antigo Presidente da República. Haverá responsáveis políticos pela situação em que a LAM se encontra.
"Responsáveis políticos"
Quem seriam esses "responsáveis políticos"? O cientista político Albano Brito, considera que "há uma resposta criminal", contudo reivindica: "Ainda não vimos uma resposta administrativa, política, séria para o processo de reestruturação".
O politólogo lembra que as passagens aéreas continuam altas e as pessoas continuam a fazer uma pressão muito séria: "Então, isso pode ser visto sob o ponto de vista da opinião pública, uma estratégia do Estado, do Governo tentar deslocar o debate".
E André Mulungo do CDD aponta o antigo ministro dos Transportes, Mateus Magala, como - no mínimo -"o responsável".
"Até agora só pegamos o diretor, pegamos o presidente do conselho de administração. Mas Moçambique muitas vezes funciona com base em ordens superiores invisíveis", sublinha.
E Mulungo chama Magala ao barulho: "Tínhamos um ministro dos Transportes e Comunicações. Nessa altura o ministro era Mateus Magala. Esse processo todo foi conduzido sob o olhar atento do ministro que hoje é um dos assessores ou conselheiro do Presidente da República, Daniel Chapo".
Purga de Daniel Chapo na LAM?
Recorde-se que o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, já a 28 de abril de 2025, havia denunciado publicamente a existência de "raposas e corruptos" dentro de estatal, que impediriam a modernização da frota em benefício de interesses privados. O Governo pretendia comprar três aeronaves para modernizar a frota da LAM dentro dos primeiros 100 dias.
Ao iniciar o processo, o Presidente afirmou ter descoberto conflitos de interesse dentro da empresa. Segundo ele, algumas pessoas preferiam que a LAM continuasse a alugar aviões, porque ganhariam comissões nesses contratos. Ele usou a metáfora: "Fomos entregar raposas para cuidar de um galinheiro".
As averiguações agora feitas pelo gabinete central de combate à corrupção, parecem dar razão ao Presidente da República, segundo especialistas ouvidos pela DW África.