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Novo movimento quer mais jovens nas eleições de 2027

26 de março de 2026

Movimento Social para a Mudança apresenta-se como nova plataforma cívica de mobilização do jovens para exigir mudança social rumo às eleições de 2027. "O povo continua a alimentar-se nos contentores de lixo", diz o MSM.

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Ativistas Angola Luanda
Nasce em Luanda um movimento cívico que pretende mobilizar os jovens para uma maior particição nas eleições de 2027 (Foto simbólica)Foto: Braima Daramé/DW

O Movimento Social para a Mudança (MSM) é a nova organização da sociedade civil que surge como mais um grupo de pressão ao Governo angolano, lançado no início de março, em Luanda. Francisco Teixeira, ex-presidente do MEA (Movimento dos Estudantes Angolanos), é o líder da organização e afirma que a nova plataforma cívica quer mobilizar jovens e comunidades para exigir mudanças sociais e reforçar a participação nas próximas eleições.

O ex-presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos, Francisco Teixeira, anunciou o lançamento do Movimento Social para a Mudança, uma iniciativa cívica que pretende mobilizar a sociedade angolana para enfrentar problemas sociais e preparar o país para as próximas eleições.

Segundo o ativista, o movimento surge da preocupação com as condições sociais da população, sobretudo da juventude, que aufere baixos salários, dificuldades económicas e vários desafios no acesso a serviços básicos.

Transformar o MSM num partido?

Francisco Teixeira explicou que a organização busca maior envolvimento da sociedade.

Francisco Teixeira
Francisco Teixeira, fundador do MSM, defende mudanças políticas e sociais em AngolaFoto: DW/B. Ndomba

"Vamos mobilizar a sociedade para que tenhamos eleições livres, justas e transparentes. Para que todos os angolanos vão a voto, para que o número de eleitores que se abstêm diminua drasticamente", afirma Teixeira.

Entre as prioridades do MSM está o trabalho direto nas comunidades, com ações de sensibilização e mobilização social em várias regiões do país.

A apresentação do movimento coincidiu com o anúncio do PADDA – partido que integrou a plataforma CASA-CE – que indicou Francisco Teixeira como cabeça de lista para as eleições gerais de 2027. Confrontado com esta nomeação, o ativista optou por não comentar.

Apesar das ligações políticas, Francisco Teixeira garantiu que não existe, para já, intenção de transformar o MSM num partido. A estratégia passa por colaborar com forças da oposição que demonstrem compromisso com a mudança, sublinhou Teixeira.

Mudança pacífica

O ativista defendeu ainda maior unidade entre os partidos da oposição e criticou as disputas e ataques que têm dominado as redes sociais. Para Teixeira, estas divisões acabam por beneficiar o MPLA, partido no poder.

"O Movimento Social para a Mudança é mesmo para mudar", disse o ativista para quem "o país precisa de mudança de partido, um outro Governo", mas segundo diz a mudança deve ser "ordeira e pacífica”.

"Nunca apelamos a outra mudança que não seja por via do voto. Se temos estado a lutar que a mudança venha por meio do voto, então temos que nos unir", esclareceu Francisco Teixeira.

O movimento pretende também promover programas de educação cívica, com o objetivo de reduzir episódios de intolerância política entre militantes de diferentes formações.

Angola Luanda Wahlen
O MSM quer maior participação de jovens nas eleições de 2027Foto: Daniel Vasconcelos/DW

MPLA perdeu o controlo do país

Para Francisco Teixeira, "é preciso que os cidadãos compreendam que os militantes do MPLA, da UNITA, PRA-JA, Partido Liberal, do PRS e de outros partidos, são todos angolanos. Os partidos são apenas ideologias. Não podemos nos agredir por causa das nossas ideologias."

Francisco Teixeira considera que Angola vive uma situação social crítica, marcada por dificuldades no acesso à alimentação, água, saúde e educação. O ativista responsabiliza o partido no poder pela atual crise.

"O país está de cabeça para baixo. Não há nenhum setor em que a população esteja satisfeita. Fica-me a impressão de que o MPLA perdeu o controlo do país. O povo continua a alimentar-se nos contentores de lixo. Por isso sonhamos com a mudança. É preciso mudarmos o país", sublinha o líder o MSM.

Mas o que pensam as comunidades e os jovens sobre o surgimento de mais movimentos e partidos políticos a poucos anos das eleições?

Nunca teremos eleições enquanto o MPLA continuar no poder"