Tanzânia: Quase 100 pessoas acusadas de traição à pátria
7 de novembro de 2025
Os protestos, em alguns casos violentos, eclodiram durante o dia das eleições, se estenderam por três dias em várias cidades do país e foram reprimidos pela polícia com gás lacrimogêneo e munição real, enquanto o governo impôs um toque de recolher e interrompeu o acesso à internet em todo o território.
Pelo menos 150 pessoas morreram em Dar es Salaam durante as mobilizações, confirmaram à EFE no dia 31 de outubro fontes da área da saúde, embora o principal grupo da oposição, o Partido da Democracia e do Progresso (Chadema), tenha estimado em até mil o número de mortos pelas forças de segurança em diferentes pontos do país, segundo detalhou nesta terça-feira a organização Human Rights Watch.
Diante desses números, a Ordem dos Advogados de Tanganica (Tanzâniacontinental) confirmou à EFE na quarta-feira (05.11) que começou a distribuir formulários entre a população para que registrem seus familiares desaparecidos ou presumivelmente mortos, diante da recusa do governo em entregar os corpos.
Enquanto isso, Chadema denunciou que a polícia recolheu cadáveres de hospitais para "apagar provas e estatísticas”.
As acusações formuladas nesta sexta-feira contra os manifestantes foram apresentadas depois que a porta-voz do partido da oposição, Brenda Rupia, informou na terça-feira que o vice-presidente da formação, John Heche, detido no dia 22 de outubro, antes das eleições, foi acusado de terrorismo.