FMI prevê agravamento da recessão global devido à guerra
Publicado 28 de fevereiro de 2026Última atualização 14 de maio de 2026
O que você precisa saber
- FMI prevê agravamento da recessão econômica global devido à guerra no Irã
- Navio ancorado nos EAU foi apreendido, diz Reino Unido
- Irã autoriza passagem de navios chineses em Ormuz
- Trump e Xi concordam que Ormuz deve permanecer aberto, diz Casa Branca
- Israel continua a lançar ataques mortíferos no Líbano, mesmo sob cessar-fogo
Acompanhe abaixo os desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, que mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e vários chefes militares, desencadeando o atual conflito no Oriente Médio:
Trump diz que Xi ofereceu "ajuda" com o Irã durante encontro em Pequim
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que seu homólogo chinês, Xi Jinping, ofereceu-lhe "ajuda" com a guerra no Irã e a reabertura do estreito de Ormuz durante o encontro entre os dois em Pequim.
"O presidente Xi gostaria de que se chegasse a um acordo. Ele me disse: 'Se eu puder ajudar de alguma forma, gostaria de ajudar'", declarou Trump em entrevista à rede de televisão "Fox News", direto da China.
De acordo com um trecho da entrevista, que será exibida na íntegra nesta quinta à noite nos EUA, Trump afirmou que Xi "gostaria de ver o estreito de Ormuz aberto".
Segundo ele, Xi também prometeu que não vai fornecer equipamentos militares ao Irã.
"Ele disse que não vai fornecer equipamentos militares, o que é uma declaração significativa. Mas, ao mesmo tempo, afirmou que a China compra muito petróleo de lá (Irã) e gostaria de continuar comprando", acrescentou.
A guerra no Irã ganhou destaque durante a visita de Trump à China porque, nos dias que antecederam a viagem, Washington havia pedido a Pequim para assumir um papel mais ativo na comunicação com Teerã.
Os EUA argumentaram que o bloqueio do estreito de Ormuz impacta diretamente os interesses de energia e comércio da China, já que aproximadamente 45% de suas importações de petróleo e gás passam pela hidrovia.
Xi e Trump concordaram na reunião que o Irã "nunca" deveria possuir armas nucleares e sobre a necessidade de reabrir o estreito de Ormuz ao transporte de hidrocarbonetos sem a cobrança de taxas de trânsito, de acordo com um comunicado da Casa Branca sobre o primeiro encontro entre os dois.
Trump, que está em visita oficial a Pequim pela primeira vez desde 2017, durante seu primeiro mandato, terá outro encontro com Xi amanhã antes de retornar a Washington.
jps (EFE)
FMI prevê agravamento da recessão econômica global devido à guerra no Irã
O Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que o fechamento persistente do estreito de Ormuz está exacerbando a atual recessão, embora considere que os danos no último mês tenham sido relativamente moderados, pois a economia global demonstra certa resiliência.
"Estamos claramente nos afastando do cenário (econômico) base e caminhando para o cenário adverso", afirmou a porta-voz do FMI, Julie Kozak, em entrevista coletiva nesta quinta-feira, na qual acrescentou que alguns fatores indicam que o ritmo de deterioração econômica está sendo parcialmente contido.
No último relatório Perspectivas da Economia Mundial (WEO), de abril, o FMI delineou três cenários progressivos vinculados à duração do conflito e afirmou que, se o fechamento do estreito de Ormuz persistir até o início do verão (hemisfério norte), os danos se agravarão, levando a uma segunda fase de danos econômicos ainda mais severos.
O FMI acredita que, embora o preço médio do barril de petróleo bruto tenha aumentado cerca de US$ 10 em comparação com o índice de referência de março usado no WEO, os outros dois canais que transmitem os danos econômicos causados pela guerra não sofreram grandes perturbações.
Kozak afirmou que o prolongamento do conflito já piorou desde abril às perspectivas de inflação, embora tenha esclarecido que isso se refere apenas ao curto prazo.
"Quando olhamos para as perspectivas de médio prazo, ainda vemos as expectativas de inflação, especialmente nas economias desenvolvidas, bem ancoradas. E quanto ao terceiro canal, que são as condições financeiras, estas permanecem bastante favoráveis", destacou.
O cenário base delineado pelo FMI em abril projeta um crescimento global de cerca de 3,1% em 2026 (0,2 ponto percentual abaixo da previsão pré-guerra), com a inflação global próxima de 4,4% em 2026.
No entanto, se o estreito de Ormuz permanecer fechado após junho, a organização acredita que o crescimento cairá para cerca de 2,5% e a inflação subirá para 5,4%, a expansão econômica desacelerará para 2% e os aumentos de preços ultrapassarão 6% até 2027, caso a guerra se prolongue ainda mais
jps (EFE)
Irã permite trânsito de navios chineses por Ormuz, diz imprensa iraniana
O Irã está permitindo o trânsito de navios chineses através do Estreito de Ormuz desde a noite de quarta-feira, no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou em visita oficial a Pequim, segundo informou a mídia iraniana nesta quinta-feira.
"Após a decisão da república islâmica, vários navios chineses foram autorizados a atravessar o Estreito de Ormuz seguindo os protocolos iranianos", indicaram as agências Fars e Tasnim, ambas ligadas à Guarda Revolucionária.
Os dois meios de comunicação citaram fontes informadas sobre a situação, mas não ofereceram mais detalhes.
A república islâmica bloqueou a passagem estratégica pouco depois do início da guerra lançada por Estados Unidos e Israel no último dia 28 de fevereiro, o que interrompeu a circulação de petroleiros e provocou a subida dos preços dos combustíveis.
Ao mesmo tempo, Teerã insiste que permite a passagem de navios que sigam as rotas estabelecidas pela Marinha iraniana e tem a intenção de formalizar a cobrança pelo trânsito pelo estreito estratégico com a aprovação de um projeto de lei.
Apesar de a lei ainda não ter sido aprovada, o Banco Central do país anunciou no final de abril que já estava recebendo pagamentos de navios para transitar por Ormuz.
Os Estados Unidos reagiram ao bloqueio de Ormuz com o cerco aos portos e navios iranianos.
O anúncio da passagem dos navios chineses coincide com a visita de Trump à China, um dos principais aliados do Irã e que recebe 90% das exportações de petróleo bruto iraniano.
jps (EFE)
Israel critica jogador Lamine Yamal por exibição de bandeira palestina em Barcelona
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, criticou nesta quinta-feira o jogador espanhol Lamine Yamal após a divulgação, nesta semana, de imagens nas quais o atleta do Barcelona aparece segurando uma bandeira palestina durante a celebração do título do Campeonato Espanhol na capital catalã.
"Lamine Yamal escolheu incitar contra Israel e fomentar o ódio enquanto nossos soldados combatem a organização terrorista Hamas, que massacrou, estuprou, queimou e assassinou crianças, mulheres e idosos judeus em 7 de outubro", afirmou o ministro em uma mensagem escrita em espanhol e publicada em sua conta na rede social X.
"Quem apoia este tipo de mensagem deve se perguntar: considera isso humanitário? Isso é moral?", escreveu Katz, acrescentando que não guardará silêncio diante do que classificou como "incitação contra Israel e contra o povo judeu".
Katz também expressou sua expectativa de que o Barcelona se distancie do ocorrido e deixe claro, de forma inequívoca, que não há lugar "para a incitação nem para o apoio ao terrorismo".
As declarações ocorrem após o jogador, de 18 anos, protagonizar nesta semana uma das cenas mais comentadas da festa do título espanhol em Barcelona, ao ondear por vários minutos uma bandeira palestina que lhe foi entregue por um torcedor durante o desfile em carro aberto.
O gesto foi posteriormente compartilhado pelo próprio atleta em sua conta no Instagram, onde possui mais de 42 milhões de seguidores, gerando um amplo impacto nas redes sociais.
jps (EFE)
Brasil se oferece para impulsionar as negociações de paz entre Irã e Estados Unidos
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, transmitiu nesta quinta-feira ao seu homólogo do Irã, Abbas Araghchi, que o Brasil está disposto a "contribuir para os esforços de negociação" com os Estados Unidos para alcançar "a paz e a reabertura do Estreito de Ormuz".
Em uma reunião à margem do encontro ministerial do BRICS, em Nova Délhi, o chanceler reforçou que o Brasil apoia uma "solução diplomática" para o conflito iniciado no último dia 28 de fevereiro, que se estendeu a outros países do Oriente Médio.
Vieira também frisou que Ormuz, cenário de graves tensões entre o Irã e os EUA, é "estratégico para o fluxo global de combustíveis e fertilizantes", dos quais depende a potente indústria agropecuária brasileira, conforme apontou o Itamaraty em suas redes sociais.
Por sua vez, Araghchi elogiou a posição brasileira em defesa do "direito internacional" e atualizou seu homólogo em relação aos "esforços diplomáticos em curso com a mediação do Paquistão", a fim de chegar a um acordo que "restabeleça a paz na região".
Além disso, lembrou no encontro desta quinta-feira o "esforço construtivo de Brasil e Turquia" que possibilitou o acordo sobre o programa nuclear iraniano em 2010.
A reunião ministerial dos BRICS ocorre em meio a crescentes divergências internas dentro do bloco, que conta entre seus membros com Irã e Emirados Árabes Unidos - sendo este último alvo de ataques por parte de Teerã no âmbito do conflito.
As tensões entre Irã e Emirados já haviam bloqueado uma declaração conjunta durante a reunião preparatória de vice-ministros e enviados especiais realizada em 26 de abril.
Do lado brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem criticado duramente, desde o início, a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra a república islâmica, classificando-a em diversas ocasiões como uma "guerra da insensatez".
A agenda do chanceler em Nova Délhi incluiu uma reunião na quarta-feira com seu homólogo indiano, S. Jaishankar, e um encontro com o primeiro-ministro, Narendra Modi, junto a todos os representantes do bloco.
Vieira também se reuniu, nos bastidores da cúpula, com o chanceler russo, Sergei Lavrov.
jps (EFE)
Ministro israelense de extrema direita força entrada na Esplanada das Mesquitas
O ministro ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, titular da pasta de Segurança Nacional de Israel, entrou nesta quinta-feira com uma bandeira israelense no recinto da Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental ocupada, e reivindicou o controle do seu país sobre o local reservado aos muçulmanos.
"Cinquenta e nove anos após a libertação de Jerusalém, hasteei a bandeira israelense no Monte do Templo e podemos afirmar com orgulho: recuperamos o controle do Monte do Templo", disse Ben-Gvir hoje, coincidindo com a celebração do chamado Dia de Jerusalém.
Nesta jornada, milhares de israelenses radicais - em sua maioria adolescentes e muitos deles colonos da Cisjordânia - costumam comemorar a conquista militar de Jerusalém Oriental na Guerra de 1967 com cânticos anti-árabes e uma marcha que atravessa a Cidade Velha de Jerusalém. Não é raro que a data seja marcada por violência.
"Hoje, mais do que nunca, o Monte do Templo está em nossas mãos! O Dia de Jerusalém é um dia de paz e segurança", acrescentou Ben-Gvir, ele próprio um colono, em publicação compartilhada em sua conta na rede social X.
Os israelenses chamam de Monte do Templo o que os palestinos denominam Esplanada das Mesquitas, onde se encontra a mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado para os muçulmanos depois de Medina e Meca.
Para os judeus, este é também o lugar mais sagrado do judaísmo, pois defendem que, antes da mesquita, o local abrigou o Primeiro Templo, construído por Salomão, e o Segundo Templo (destruído pelos romanos). No entanto, de acordo com as normas religiosas, apenas alguns rabinos podem orar ali.
Nas últimas décadas, em paralelo à ascensão do sionismo religioso simbolizado por Ben-Gvir, cada vez mais rabinos instam os fiéis a entrarem na Esplanada para rezar, violando o "statu quo" estabelecido por Israel com a Jordânia em 1967, segundo o qual apenas os muçulmanos podem orar no recinto.
No ano passado, Ben Gvir já havia realizado uma oração pública na Esplanada das Mesquitas, no que foi visto como um ato de provocação pública. Na ocasião, Ben Gvir ainda sugeriu que Gaza seja integralmente ocupada por Israel.
Tomado como uma provocação pelo mundo muçulmano, o movimento violou um acordo histórico que proíbe orações judaicas no local e desencadeou condenações de diversos países da região.
jps (EFE)
Irã acusa EAU de participarem ativamente da guerra
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou nesta quinta-feira (14/05) os Emirados Árabes Unidos de desempenharem um papel ativo na guerra dos Estados Unidos e de Israel contra seu país.
"Os Emirados Árabes Unidos são um parceiro ativo nessa agressão, e não há nenhuma dúvida sobre isso", disse Araghchi em uma publicação no Telegram, enquanto participava de uma cúpula do Brics na Índia.
Araghchi também fez referência ao que Israel descreveu como uma reunião secreta realizada nos Emirados Árabes Unidos, no auge da guerra, entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente dos Emirados, Mohammed bin Zayed Al Nahyan.
Apesar de divulgada oficialmente pelo gabinete de Netanyahu, o governo emiradense negou que o encontro tenha ocorrido.
"Devo dizer que os Emirados Árabes Unidos estiveram diretamente envolvidos no ato de agressão contra o meu país. Quando essa agressão começou, eles sequer se dispuseram a condená-la", afirmou Araghchi.
"Também ficou claro que eles participaram desses ataques e podem até ter agido diretamente contra nós", acrescentou.
Relações tensas desde o início da guerra
As relações entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos estão tensas desde 28 de fevereiro, quando ataques dos Estados Unidos e de Israel desencadearam ofensivas retaliatórias iranianas contra Israel e aliados americanos no Golfo, incluindo os Emirados.
Os Emirados Árabes Unidos afirmam que suas relações com Israel operam no âmbito dos Acordos de Abraão de 2020, que normalizou a diplomacia entre os países.
O Irã tem acusado repetidamente os países do Golfo de permitirem que forças americanas realizem ataques a partir de seus territórios.
As nações do Golfo têm negado reiteradamente as acusações, afirmando, ainda antes do conflito, que não permitiriam o uso de seu território ou espaço aéreo para atacar o Irã.
A televisão estatal iraniana exibiu analistas que alegam envolvimento dos Emirados Árabes Unidos nos ataques contra o Irã.
No início deste mês, os Emirados culparam o Irã por um ataque com drone a uma instalação de energia no emirado oriental de Fujairah, acusação que o Irã negou.
gq (AFP, Reuters)
Navio ancorado nos EAU foi apreendido, diz Reino Unido
Um navio ancorado ao largo da costa leste dos Emirados Árabes Unidos foi apreendido e segue em direção às águas iranianas, informou nesta quinta‑feira (14/05) o Exército do Reino Unido.
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) disse ter recebido relatos de que a embarcação foi tomada por pessoas não autorizadas enquanto estava ancorada a 70 quilômetros a nordeste do porto de Fujairah, nos EAU, próximo ao Estreito de Ormuz. .
Fujairah é um importante terminal de exportação de petróleo e o principal porto dos EAU fora do Golfo Pérsico. A região tem sido repetidamente atacada durante a guerra com o Irã. Ainda não está clara a bandeira da embarcação.
Narrativas sobre reunião secreta de Netanyahu ampliam tensão
A apreensão ocorreu enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reunia com o líder chinês, Xi Jinping, durante uma visita a Pequim.
O incidente também acontece horas depois de Israel afirmar que o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu havia visitado secretamente os EAU no auge da guerra com o Irã. O governo emiradense, porém, negou que a visita secreta tenha ocorrido.
O país do Golfo normalizou relações com Israel em 2020. O Irã criticou esse acordo e, ao longo dos anos, sugeriu repetidamente que Israel mantém presença militar e de inteligência nos EAU.
Também nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou os Emirados Árabes Unidos de desempenharem um papel ativo na guerra dos EUA e de Israel contra seu país.
"Os Emirados Árabes Unidos são um parceiro ativo nessa agressão, e não há nenhuma dúvida sobre isso", disse Araghchi em uma publicação no Telegram, enquanto participava de uma cúpula do Brics na Índia.
gq (AP, AFP)
Trump e Xi concordam que Estreito de Ormuz "deve permanecer aberto"
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping concordaram nesta quinta-feira (14/05) que o Estreito de Ormuz "deve permanecer aberto", informou a Casa Branca após a reunião dos dois líderes em Pequim.
O Irã tem bloqueado em grande parte a navegação pela via marítima, por onde normalmente passa um quinto do petróleo e do gás natural do mundo, desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro.
"As duas partes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para apoiar o livre fluxo de energia", afirmou a Casa Branca.
De acordo com a Casa Branca, Xi manifestou interesse em comprar mais petróleo americano para reduzir, no futuro, sua dependência em relação ao estreito.
O comunicado divulgado por Pequim sobre o encontro, porém, não mencionou qualquer interesse desse tipo.
Irã permite passagem de navios chineses
O Irã começou a permitir que alguns navios chineses transitem pelo Estreito de Ormuz após um entendimento sobre os protocolos iranianos de gestão da via marítima, informou nesta quinta-feira a agência de notícias iraniana Fars.
A China é diretamente afetada pelo fluxo no Estreito de Ormuz. Mais da metade do petróleo bruto importado por via marítima por Pequim vem do Oriente Médio e transita principalmente pelo estreito, segundo a empresa de análise marítima Kpler.
gq (AFP)
Emirados Árabes Unidos negam visita de Netanyahu durante auge da guerra
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) negaram nesta quinta-feira (14/05) relatos de que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tenha visitado secretamente o país após os Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã.
O próprio gabinete de Netanyahu afirmara na quarta-feira que ele havia visitado os EAU durante as atuais hostilidades com o Irã e que teria sido recebido pelo presidente Mohamed bin Zayed. O governo israelense afirmou que a passagem "levou a um avanço histórico nas relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos".
O Ministério das Relações Exteriores dos EAU, porém, rejeitou a afirmação israelense em um comunicado publicado nesta quinta-feira, negando também que qualquer delegação militar tenha sido recebida.
Segundo a pasta, "quaisquer alegações sobre visitas não anunciadas ou acordos não divulgados são totalmente infundadas, a menos que sejam oficialmente anunciadas pelas autoridades competentes dos EAU".
O ministério acrescentou que as relações com Israel operam no âmbito dos Acordos de Abraão de 2020 e não se baseiam em entendimentos informais ou opacos. O pacto celebrado há seis anos normalizou relações entre Israel e vários Estados árabes, incluindo os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão.
Irã diz que cooperação é "imperdoável"
O Irã criticou duramente a suposta visita. A emissora estatal IRIB informou que Teerã havia sido informada pelo chanceler Abbas Araghchi sobre a viagem "no auge do confronto militar".
Araghchi, que está atualmente na Índia, descreveu a cooperação entre os Emirados Árabes Unidos e Israel como "imperdoável".
gq (DPA)
Produção da Opep cai quase 34% devido à guerra no Irã e ao fechamento de Ormuz
A produção petrolífera da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), atingida pela guerra no Irã e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, continuou caindo até atingir em abril a média de 18,98 milhões de barris por dia (mbd), quase 34% a menos do que o bombeamento de fevereiro.
A perda acumulada pelo grupo de 12 países desde o início da guerra, no último dia 28 de fevereiro, é de 9,67 mbd, segundo os números publicados nesta quarta-feira pela Opep em seu relatório mensal, calculados por vários institutos independentes.
Trata-se de um colapso recorde do bombeamento conjunto, superior ao corte histórico implementado voluntariamente pela organização há seis anos para conter a queda dos preços do petróleo causada pela crise da pandemia de covid-19.
Com um recuo de quase um milhão de barris/dia entre março e abril, a produção saudita ficou em 6,77 mbd, 33% abaixo do nível de fevereiro (10,11 mbd).
Proporcionalmente, são ainda muito maiores as perdas sofridas por Kuwait e Iraque, cujas extrações foram reduzidas em quase 77% e 67%, respectivamente, ao passarem de 2,58 mbd para 0,6 mbd, e de 4,18 mbd para 1,38 mbd.
Os barris iranianos também continuaram baixando, totalizando 2,85 mbd no mês passado, frente aos 3,24 mbd de fevereiro, segundo o relatório.
Em contrapartida, os Emirados Árabes Unidos recuperaram parte do terreno perdido em março, com uma subida moderada de 0,13 mbd (até 2,02 mbd) no que foi o seu último mês como país membro da Opep, já que em 1º de maio se retiraram da organização com sede em Viena.
No entanto, continuam acumulando uma queda de mais de 40% em relação aos 3,4 mbd que produziram antes da guerra.
São também modestos os aumentos de outros sócios, como Líbia (+0,55 mbd), Venezuela (+0,46 mbd), Nigéria (+0,13 mbd) e Argélia (+0,9 mbd), de forma que estão longe de poder compensar o colapso histórico do bombeamento total.
Quanto aos dez petroestados independentes aliados da Opep, a Rússia, que os lidera, também viu seus suprimentos caírem em abril, possivelmente devido aos ataques ucranianos às suas instalações petrolíferas, embora o recuo de 0,10 mbd tenha sido compensado pelo incremento do Cazaquistão (+0,11 mbd).
No total, a aliança Opep+ (Opep e seus aliados) bombeou em abril 33,19 mbd, quase 10% a menos que em fevereiro.
Nesta situação, o grupo está longe de aplicar os aumentos de produção pactuados para entrar em vigor em abril e maio, de 0,20 mbd cada um, nem se vislumbra que possam incrementar outros 0,18 mbd em junho, conforme estabelecido, pelo menos enquanto não se normalizar o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz, via pela qual habitualmente circula 20% do petróleo comercializado no mundo.
jps (EFE,)
Irã liberta advogada e ativista Nasrin Sotoudeh sob fiança
A advogada iraniana e defensora dos direitos humanos Nasrin Sotoudeh foi libertada após o pagamento de fiança, após ter sido detida no início de abril por conceder uma entrevista a um veículo de comunicação da oposição.
“A mamãe foi libertada temporariamente sob fiança há algumas horas”, informou no Instagram a filha da ativista, Mehraveh Khandan.
Khandan não deu mais informações sobre a libertação ou o motivo da prisão em 2 de abril, que ocorreu dias após a ativista conceder uma entrevista ao "Iranwire", um veículo de oposição com sede nos Estados Unidos, na qual criticou a República Islâmica.
A advogada, de 63 anos, já passou longos períodos atrás das grades por acusações como "propaganda contra o sistema", entre outras, por defender mulheres presas por tirarem publicamente o véu e opositores da República Islâmica do Irã.
Em 2012, foi reconhecida com o Prêmio Sakharov, concedido pelo Parlamento Europeu por seu trabalho em defesa dos direitos humanos.
Seu marido, Reza Khandan, está na prisão cumprindo pena por seu ativismo.
Desde o início da guerra lançada por EUA e Israel em 28 de fevereiro, o Irã prendeu ao menos 4 mil pessoas por motivos políticos ou de segurança nacional, segundo o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.
Há dois dias, as autoridades iranianas suspenderam temporariamente as sentenças de prisão da vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, devido ao seu mau estado de saúde. Ela foi transferida para um hospital em Teerã após semanas de pressões internacionais para que recebesse os cuidados médicos.
jps (EFE, ots)
Netanyahu fez viagem secreta aos Emirados Árabes Unidos durante auge da guerra com Irã
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visitou secretamente os Emirados Árabes Unidos em março, no auge do conflito do Irã, e se reuniu com o líder do país árabe, o xeique Mohamed bin Zayed Al Nahyan, confirmou nesta quarta-feira (13/05) em comunicado o gabinete do governante israelense.
"Esta visita propiciou um avanço histórico nas relações entre Israel e Emirados Árabes Unidos", apontou o texto. Os dois líderes reuniram-se por várias horas em Al Ain, uma cidade-oásis na fronteira com Omã, em 26 de março, antes do cessar-fogo de 8 de abril, informou a a agência Reuters.
Uma fonte disse à agência de notícias que o diretor do Mossad, David Barnea, também realizou pelo menos duas visitas aos Emirados Árabes Unidos durante a guerra com o Irã para coordenar ações militares. A visita do chefe da inteligência foi noticiada primeiramente pelo Wall Street Journal.
Os Emirados Árabes Unidos foram, em 2020, o primeiro país árabe a aderir aos Acordos de Abraão a fim de normalizar as relações com Israel.
Depois de Emirados, Bahrein, Sudão e Marrocos também assinaram estes acordos de normalização diplomática — mediados pelos Estados Unidos.
Durante a guerra de EUA e Israel contra o Irã, os Emirados Árabes Unidos interceptaram cerca de 550 mísseis balísticos, 29 mísseis de cruzeiro e 2.260 drones lançados pela República Islâmica em represália pelas agressões contra o seu território, segundo o Ministério da Defesa do país.
Recentemente, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, confirmou que Israel enviou uma bateria do sistema de defesa antiaérea, conhecido como Domo de Ferro, aos Emirados para que pudessem se defender dos ataques do Irã.
jps (EFE, ots)
Irã: controle de Ormuz poderia dobrar receitas com petróleo
O Irã acredita que pode usar seu controle sobre o Estreito de Ormuz para obter ganhos econômicos e geopolíticos significativos, à medida que a crise no Oriente Médio continua.
Em tempos de paz, essa importante via navegável responde por cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito, além de outras commodities importantes. Mas Teerã bloqueou em grande parte a navegação pelo estreito desde que os Estados Unidos e Israel começaram a lançar ataques aéreos em 28 de fevereiro.
"Nossa supervisão do Estreito de Ormuz gerará receitas econômicas significativas para o nosso país – potencialmente até dobrando nossa renda com petróleo – e fortalecerá nossa influência no cenário internacional", afirmou o porta-voz militar Mohammad Akraminia, citado pela agência de notícias iraniana Isna.
Os Estados Unidos, que impuseram seu próprio bloqueio naval aos portos iranianos, alegam ter degradado severamente as capacidades militares do Irã e destruído efetivamente sua marinha.
Akraminia, no entanto; afirmou que a parte ocidental do Estreito de Ormuz permanece sob o controle da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), enquanto a parte oriental é controlada pela Marinha iraniana.
Teerã finaliza plano para adminsitrar Ormuz
Nesta quarta-feira (13/05), Ebrahim Azizi, chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, disse que um plano para administrar a hidrovia já havia sido finalizado.
"A República Islâmica do Irã pretende usar essa posição estratégica como alavanca de poder por meio da gestão estratégica do Estreito de Ormuz", afirmou, segundo a televisão estatal.
No mês passado, o vice-presidente do Parlamento iraniano, Hamidreza Hajibabaei, disse que Teerã havia recebido suas primeiras receitas com os pedágios cobrados das embarcações que atravessam o estreito.
rc (DW)
Irã entra no 75º dia de bloqueio de internet, o mais longo já registrado
O bloqueio que as autoridades iranianas mantêm sobre o acesso à internet global entra nesta quarta-feira em seu 75º dia e já é o mais longo deste tipo de que se tem registro, superando os 72 dias da restrição imposta pelas autoridades de Mianmar durante o golpe de Estado de fevereiro de 2021, segundo informou a organização NetBlocks, que monitora o tráfego e a censura na rede.
O diretor da NetBlocks, Alp Toker, afirmou à Agência EFE que "o apagão do Irã é o apagão nacional mais longo já registrado e o mais extenso deste tipo em uma sociedade conectada digitalmente", superando Mianmar e, há várias semanas, o Sudão.
De acordo com os registros da organização, os apagões mais longos após o do Irã e de Mianmar ocorreram no Sudão em junho de 2019 (36 dias) e em outubro de 2021 (25 dias), enquanto o quinto em duração também foi aplicado pelo Irã durante os protestos de janeiro, quando a internet foi desconectada por 20 dias.
A NetBlocks também possui registros de outros incidentes em locais onde o acesso à internet não estava disponível de forma generalizada, como na Coreia do Norte ou na Líbia.
"Esta censura digital provocou especulação e uma deterioração da segurança digital, uma vez que os planos de internet 'Pro' apoiados pelo governo e as listas brancas seletivas estão resultando em vigilância, corrupção e golpes", assinalou a organização ao referir-se ao apagão no Irã.
A república islâmica optou por um acesso à internet por níveis, passando de um direito público para um serviço limitado e dispendioso, em um modelo que alguns meios de comunicação já descrevem como "internet por classes".
Sob o nome de internet Pro, as autoridades implementaram um sistema aprovado em instâncias superiores ao governo, como o Conselho Supremo de Segurança Nacional, cuja execução foi encarregada ao Centro Nacional do Ciberespaço.
O resultado, segundo o jornal Shargh, é um esquema de acesso desigual não apenas entre quem tem conexão e quem não tem, mas também entre os próprios beneficiários.
O próprio governo iraniano criticou "qualquer forma de restrição ou discriminação" no acesso à rede, embora tais decisões estejam vinculadas a órgãos relacionados à segurança nacional.
A discriminação já existia previamente, pois alguns usuários, especialmente altos cargos políticos, contam com o que se conhece como "cartões brancos" - chips com acesso à internet sem censura que, mesmo em tempos de corte nas conexões, continuam funcionando, o que gera forte indignação entre a população.
jps (EFE)