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Alistamento de presidiários esvazia prisões russas

14 de maio de 2026

População carcerária da Rússia caiu quase pela metade em relação ao período antes da guerra. Para repor perdas no campo de batalha na Ucrânia, regime de Putin tem recrutado presidiários em larga escala desde 2022.

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Prisão de Lefortovo, em Moscou
Prisão de Lefortovo, em MoscouFoto: Vlad Karkov/IMAGO/ZUMA Wire

O número de presos na Rússia caiu para 282.000, quase metade do registrado em 2021, em grande parte devido ao recrutamento de detentos pelas Forças Armadas, que tem usado presidiários como soldados na frente ucraniana.

"Se no final de 2021 tínhamos 465.000 detentos, agora são 282.000, dos quais 85.000 estão em prisão preventiva", declarou nesta quinta-feira (14/05) à agência de notícias TASS o diretor do o Serviço Federal Penitenciário russo, general Arkadi Gostev.

Gostev argumentou que entre os principais fatores que incidiram na redução da população penal estariam o aumento de penas alternativas ou não relacionadas à privação de liberdade, como prisão domiciliar e a restrição de movimento.

Por outro lado, ele admitiu que "nos últimos tempos, o trabalho de recrutamento para as Forças Armadas exerce uma certa influência".

Além disso, indicou que grande parte da produção fabricada nas prisões russas tem como destino o Exército e a campanha militar na Ucrânia. Anualmente, participam destes trabalhos "cerca de 16.000 detentos", que fabricam bens no valor de aproximadamente 5,5 bilhões de rublos (cerca de R$ 380 milhões).

Recrutamento 

O recrutamento de prisioneiros para lutar na Ucrânia veio à tona pela primeira vez no verão de 2022. Inicialmente, o esforço era liderado pela organização mercenária russa Grupo Wagner, especialmente pelo seu fundador, Yevgeny Prigozhin (1961-2023).

Sob o modelo do Grupo Wagner, prisioneiros que sobreviviam a um período de seis meses na linha de frente eram libertados e recebiam perdão por seus crimes.

O modelo causou apreensão em parte da sociedade russa, temerosa que os libertos voltassem a cometer crimes após voltarem da linha de frente. Em agosto de 2023, um criminoso condenado — libertado após combater com o Grupo Wagner — foi novamente preso sob a acusação de matar seis pessoas até a morte no norte da Rússia.

Após Yevgeny Prigozhin cair em desgraça junto ao regime, o Ministério da Defesa da Rússia assumiu o recrutamento de detentos para a guerra. Posteriormente, o país também aprovou leis para permitir que réus evitem o andamento de processos legais ao se alistarem para combater na Ucrânia.

O líder mercenário Yevgeny Prigozhin
O líder mercenário Yevgeny Prigozhin, pioneiro no recrutamento de presidiários russos para lutar na UcrâniaFoto: PMC Wagner/Telegram/REUTERS

Em apenas dois meses de 2022 — de setembro e outubro daquele ano — o número de presos nas penitenciárias da Rússia caiu 23.000. Ao longo de 2023, a população carcerária sofre uma nova queda de 54.000. Em junho de 2024, o site independente Mediazona e a BBC News Rússia noticiaram que o Grupo Wagner havia recrutado pelo menos 48.366 prisioneiros para a guerra na Ucrânia.

Mais recentemente, o Kremlin foi acusado de recrutar estrangeiros para seu exército usando falsas promessas de emprego para atraí-los para a Rússia. A tática tem afertado africanos e latino-americanos

jps (EFE, ots)