1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Um ano de Chapo no poder em Moçambique: O que mudou?

14 de janeiro de 2026

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, completa um ano de governação. Cidadãos residentes em Maputo afirmam que nada está a ser visível neste primeiro ano de mandato, mas analista entende que há sinais positivos.

https://p.dw.com/p/56nVd
Tomada de posse de Daniel Chapo como Presidente da República de Moçambique em Mpauto (15.01.2025)
No discurso de tomada de posse, a 15 de janeiro de 2025, Daniel Chapo destacou repetidamente o combate à corrupção no país.Foto: Carlos Uqueio/AP Photo/picture alliance

Entre protestos contra a eleição, o novo chefe de Estado, Daniel Chapo, tomou posse, há um ano, com promessas de combater o terrorismo, a corrupção e de melhorar as condições de vida dos professores, dos médicos e dos enfermeiros.

Mas passado um ano estes grupos de profissionais ainda clamam pelo pagamento de horas extraordinárias e pela melhoria das condições de vida.

O porta-voz da ANAPRO, Marcos Mulima, entende que o país não está a avançar em todos setores.  E no caso específico da educação pede a demissão da ministra do pelouro.

"Que está em prol da prática de mesmices, que não querem ver a educação a andar. Não só, entendemos que a politização da educação é um caos e tudo isto acontece porque não há interesse em formar massas que ajudam a progredir o país", justifica.

 A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) anunciou esta quarta-feira (14.01) uma greve de 30 dias, prorrogável, com início esta sexta-feira (16.01).

O presidente da associação, Anselmo Muchave, justifica a paralisação com a insatisfação da classe em relação à decisão do Governo de pagar apenas 40% do 13.º vencimento aos profissionais da saúde.

"Não muda nada"

Cidadãos ouvidos pela DW dizem que não estão a ver nada a mudar no país. "Absolutamente nada mudou, já passa um ano. Não há emprego, a idade está a avançar e nada está a acontecer", critica um cidadão.

"Esta governação deChapo não ajuda nada, as coisas não estão a andar.", lamenta outro morador. "A FRELIMO está a governar, mas não muda nada", acrescenta outro moçambicano.

Mondlane desapontado com Chapo: "Tem dupla personalidade?"

Mas o analista político Dércio Alfazema entende que há sinais positivos de que a governação de Daniel Chapo é promissora. "O investimento que está a ser feito para os jovens, a questão do fundo de iniciativa local, todo o apoio para reanimar o setor privado, os investimentos na área de infraestruturas, mesmo estando num ano difícil eu penso que o governo está a dar resposta", diz.

No início do ano o país estava na iminência de uma greve geral da função púbica. Mas Dércio Alfazema acha que o governo conseguiu dar resposta ao cenário. "Este mandato iniciou com a iminência de uma greve geral da função pública, uma situação que nunca vivemos no país, mas tudo isso o governo conseguiu dar resposta, tranquilizar esses profissionais", considera.

Combater a corrupção com discursos?

No discurso de tomada de posse, a 15 de janeiro de 2025, Daniel Chapo destacou repetidamente o combate à corrupção no país.

No entanto, o jornalista Alexandre Chiure considera que em Moçambique o combate a este mal termina nos discursos e sem medidas concretas.

"Se a corrupção fosse combatida com base em discursos já não existiria. Temos estado a acompanhar discursos bonitos sobre a corrupção, mas não são acompanhados de medidas. O que se está a passar neste país é a tomada de medidas, é decidir para corrigir esta situação", conclui.

Chapo ainda não conseguiu romper com as velhas práticas?

Romeu da Silva Correspondente da DW África em Maputo